outra coisa que discerni foi que o chamado à oração não era uma exortação a falar com Deus, mas meramente estar em silêncio em sua presença. sempre me chamou atenção o fato de que no quarto a portas fechadas, Deus não ouve o que dizemos, mas nos vê: a oração é muito mais uma atitude de entrega, rendição e disponibilidade, do que um monólogo piedoso diante de Deus. talvez por esta razão Jesus tenha dito que o filho não pode fazer nada, exceto aquilo que vê o pai fazer. mais uma vez, faz sentido, pois se o pai está trabalhando devemos esperar que ele mesmo decida a recompensa nos chame a cooperar com sua obra redentora. quem não ora, não colabora. e quem ora somente através das palavras também não colabora - espera colaboração.
também tive minha atenção voltada para o fato de que a oração tem muito mais a ver com o amor do que com o poder de Deus. no quarto a portas fechada, Deus não é o general, o todo-poderoso, mas o pai que nos sussurra: "você é meu filho amado, em quem eu tenho prazer". no quarto, a portas fechadas, a oração não é um amontoado de palavras, insistentes repetições de petições, uma lista de assuntos a tratar com Deus como quem despacha com seu funcionário na manhã de segunda feira. a oração em secreto é um pronunciar singelo do "Aba", o balbuciar da criança que descança em absoluta confiança no colo do papai do céu.

trecho do livro outra espiritualidade de ed rené kivitz.